A DESCIDA
Homem, remove este rochedo e a rara
galeria interior contempla e estuda;
desce, e da terra pela ossada muda
leva tua razão de ciência avara.
Na treva expira a luz há pouco clara,
o ar em sulfúreo gás já se transmuda:
coragem! desce, e os séculos saúda,
desce mais, desce mais... agora pára.
Mas não! lá fulge um fogo subterrâneo:
– e mergulhas no cérebro do globo,
– e lhe penetras de outro lado o crânio.
Desce! não! sobe agora; um brilho intenso
banha-te o corpo, e num heróico arroubo
eis-te boiando no oceano imenso.Augusto de Lima
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